Proveniente do latim granatus (grão) nomeia em geral um grupo de minerais cristalinos constituídos por dodecaedros e trapezoedros. São nesosilicatos de formulação geral A3B2(SiO4)3. As granadas variam de acordo com a diversidade de elementos químicos presentes na sua estrutura. Os principais são: cálcio, magnésio, alumínio,ferro2+, ferro3+, cromo, manganês e titânio. As granadas não apresentam clivagens, mas mostram partição dodecaédricas. A fratura e concoidal e desigual; algumas variedades são muito resistentes e podem ter aplicações abrasivas. Sua dureza se encontra entre 6, 5-7,5 e seu peso específico (densidade) está entre 3,1 e 4,3. O brilho varia entre o vítreo e o resinoso, podendo ainda ser transparentes ou opacas conforme presença ou ausência de inclusões. São comuns nas cores vermelho, amarelo, marrom, preto, verde e incolor.
O grupo da granada é subdividido por sua variabilidade química:
Os membros do grupo da granada subdividem-se através da sua variabilidade química.
Piropo ou Rubi do Cairo Mg3Al2(SiO4)3
Deriva do grego pyropos que significa flamejante. É uma granada
de cor vermelho-sangue devido ao seu conteúdo de ferro e cromo. O magnésio pode ser substituído em parte por cálcio e/ou ferro ferroso (Fe2+).
O piropo raramente possui inclusões, mas, quando presentes, estas se encontram em forma de cristais arredondados ou apresentam contorno irregular. Como todas as granadas, o piropo não possui clivagem e a fratura é de subconcóide a irregular.
Tal pedra pode ser encontrada em rocha vulcânica e depósitos aluviais e pode, juntamente com outros minerais, indicar a presença de rochas portadoras de diamantes. As jazidas podem ser localizadas no Arizona, África do Sul, Argentina, Austrália, Brasil, Myammar, Escócia, Suíça e Tanzânia.
Os exemplares transparentes são empregados como gemas e joalhe
rias. Uma importante variedade do piropo é a rodolite, do grego rosa – é originária do condado de Macon, na Carolina do Norte e se caracteriza pela cor violeta-vermelha e por constituir uma solução sólida de 2:1 entre piropo e almandina.
Os piropos suíços e sul-africanos são pedras de vermelho mais claro do que as
pedras da Boémia, onde se utiliza o piropo na joalheria há mais de quinhentos anos.
Grossularite ou grossulária Ca3Al2(SiO4)3
É uma granada de cálcio-alumínio com fórmula Ca3Al2(SiO4)3, embora o cálcio pos
sa, em parte, ser substituído pelo ferro ferroso (Fe2+) e o alumínio por ferro férrico (Fe3+). As cores mais comuns deste mineral são:
verde,
marrom-canela,
vermelho
e amarelo.
A grossularite é um mineral típico de metamorfismo de contacto de calcários, onde se encontra associada a vesuvianite, diapsódio, wollastonite e wernerite. Grossularite é um termo derivado da botânica.
Almandite, almandina ou carbúnculoFe3Al2(SiO4)3
É uma granada de ferro-alumínio com a fórmula Fe3Al2(SiO4)3. As variedades transparentes podem ter bastante valor enquanto pedras preciosas. A Almandite é um mineral comum em rochas metamórficas como micaxisto, onde ocorre associado a estaurolite, distena, andalusite, entre outros.
Espessartite Mn3Al2(SiO4)3
É uma granada de manganês e alumínio de fórmula Mn3Al2(SiO4)3. Seu nome deriva da cidade de Spassart na Baviera. Esta variedade pode apresentar cores variadas, de acordo com o tipo e quantidade de impurezas. As mais famosas são as espessartites laranja de Madagascar e os exemplares violeta-vermelho que ocorrem em riólitos do Colorado e Maine.
Uvarovite Ca3Cr2(SiO4)3
É uma granada de cálcio e cromo de fórmula Ca3Cr2(SiO4)3. É a varie dade mais rara dentro do grupo da granada, surgindo em pequenos cristai
s de cor verde associados a cromita e serpentina.
Sua cor se deve a presença de cromo. Os cristais são muito frágeis, com fratura de subconcóide a irregular.
A uvarovite ocorre em rochas de serpentina. Os melhor
es cristais são encontrados nos Urais, na Rússia, em torno de cavidades ou fissuras na rocha. Outras fontes são a Finlândia, Turquia e Itália.
AndraditeCa3Fe2(SiO4)3
É uma granada de cálcio e ferro fórmula Ca3Fe2(SiO4)3,, embora sejam comuns substituições catiônicas importantes. As cores dependem destas variações e podes ser: vermelho, amarelo, marrom, verde ou preto. As subariedades reconhecidas são:
Topaziolite (amarelo ou verde),
demantóide (verde)
e melantinite (preto).
A andradite pode ser encontrada em rochas ígneas de profundidade, como os sienitos, e em rochas metamórficas como os
xistos e calcários.
Granadas Sintéticas
São duas as granadas sintéticas: a granada de gadolínio e gálio (Gd3Ga2(GaO4)3) sintetizado para uso na indústria de informática e granada de ítrio e alumínio (Y3Al2(AlO4)3), gema sintética que, quando contém neodímio é útil na focagem de lasers.
As espinelas ou espinélios, constituem um grupo de minerais que cristalizam no sistema cúbico, com hábito octaédrico. A sua fórmula geral é (X)(Y)2O4, onde X representa catiões que ocupam posições tetraédricas e Y catiões que ocupam posições octaédricas. Catiões divalentes, trivalentes e tetravalentes podem ocupar as posições X e Y, incluindo magnésio, zinco, ferro, manganés, alumínio, crómio, titânio e silício. Os aniões de oxigénio formam uma estrutura cúbica.
* Bracelete em espinélio laranja e Vermelho
Alguns minerais do grupo das espinelas
Espinela – MgAl2O4, que dá o nome ao grupo
Gahnite - ZnAl2O4
Franklinite - (Fe,Mn,Zn)(Fe,Mn)2O4
Cromite- (Fe·Mg)Cr2O4
Magnetite - Fe3O4
Hercinite - FeAl2O4
Ulvospinela - TiFe2O4
Jacobsite - MnFe2O4
Trevorite - NiFe2O4
Ringwoodite - SiMg2O4, um polimorfo de olivina abundante no manto entre 520 e 660 km de profundidade e um mineral raro em meteoritos
Ocorrência e distribuição
A espinela verdadeira é desde há muito conhecida em aluviões do Sri Lanka e em calcários de Mianmar e Tailândia. É ainda explorada no Tadjiquistão e Tanzânia.
As espinelas geralmente ocorrem como cristais isómetricos, octaédricos, geralmente maclados. Apresentam clivagem octaédrica imperfeita e fractura concoidal. A sua dureza na escala de Mohs é 8, o seu peso específico situa-se entre 3.5 e 4.1 e são transparentes a opacas com brilho vítreo a baço. Podem ser incolores, mas geralmente ocorrem em tons variados de vermelho,
azul, verde, amarelo,
castanho ou negro.
Existe também uma espinela branca, hoje em dia desaparecida, que foi encontrada durante algum tempo no Sri Lanka.
As espinelas vermelhas e transparentes são chamadas de espinelas-rubis ou rubis-balas e eram muitas vezes confundidas com verdadeiros rubis na antiguidade. A palavra balas deriva de Balascia, o nome antigo de Badakhshan, uma região na Ásia central situada no vale superior do rio Kokcha, um dos principais afluentes do rio Oxus.
A espinela amarela é chamada rubicela
e a espinela de manganês de cor violeta almandina.
A espinela pode ser encontrada em rochas metamórficas e também como mineral primário em rochas básicas, pois em magmas deste tipo a ausência de alcalis não permite a formação de feldspatos, e qualquer óxido de alumínio presente formará coríndon ou combinar-se-á com magnésia para formar espinela. É por este motivo que muitas vezes o rubi e as espinelas são encontrados juntos.
História da espinela como gema
Muitos rubis, famosos por se acharem incrustados em coroas da realeza são, na verdade, espinelas. A mais famosa é a 'Black Prince's Ruby', uma espinela de 170 quilates, de um vermelho magnífico, que adorna a coroa imperial do estado entre as jóias da coroa britânica. Henrique V chegou a usá-lo no seu capacete de batalha.
O rubi de Timur, uma gema vermelha de 352 quilates, actualmente propriedade da Rainha Elizabeth II, tem a marca de alguns imperadores que o possuíram antes, conferindo-lhe inegável prestígio.
Em Mianmar, onde são encontradas algumas das cores mais deslumbrantes de espinelas, esta gema foi classificada como uma espécie distinta do rubi em 1857. Noutros países a confusão com o rubi manteve-se por centenas de anos.
O termo Crisocola é proveniente das palavras gregas chrysos (ouro) e kolla (cola) – em alusão ao material empregado na soldadura do ouro-. O termo foi empregado pela primeira vez por Teofrasto – orador, discípulo de Aristóteles – em 315 a.C.
O Crisocola possui dureza 2.5 a 3.5 na escala Mohs. É um silicato hidratado de cobre - CuSiO3 - nH2O (fórmula química variável segundo as condições de crescimento, podendo apresenta alumínio na sua composição) que cristaliza em monoclínico. O Crisocola um minério menor de cobre de origem secundária e forma-se em zonas de oxidação de depósitos de minerais ricos em cobre. Dentre os minerais que ocorrem associados ao Crisocola encontram-se: quartzo, azurita, malaquita e cuprita, podendo, também, ocorrer a limonita e outros minérios menores de cobre. É, por tanto, um mineral típico das zonas de oxidação.
Devido à sua cor luminosa é algumas vezes confundida com a Turquesa. Sua ocorrência mais comumé a gema de crosta porosa, que é imprópria para utilização, porém, devido sua alta qualidade, a gema translúcida é muito apreciada.
Os locais de maior ocorrência do Crisocola são: Isrrael, República Democrática do Congo, Zaire, Chile, Cornualha na Ingaterra e Arizona, Utah, Novo México e Pensilvânia nos EUA.
Coríndon, Corindo ou Corundum, é umTrióxido de Alumínio. 52,9% de Al, 47,1% de O, cristalizado no sistema hexagonal, que possui dureza de valor 9 na escala de Mohs. Naturalmente transparente, pode ter diferentes cores que variam de acordo com as impurezas que podem lhe ocorrer. Os espécimes translúcidos são usados como jóias, é o caso do Rubi, que possui coloração vermelha devido à presença do cromo
* Rubi sangue-de-pombo
e a safira, que é azul por causa de presença do ferro ou titânio em sua composição.
Pode apresentar-se, ainda, nas cores: lilás ou arroxeada (ametista oriental), laranja,
amarela (topázio oriental),
verde (esmeralda oriental),rosa,
preta
e outras, sendo todas denominadas safiras.
As variedades constituídas exclusivamente de óxido de alumínio são incolores e denominadas safiras incolores.
*Safira incolor ou natural
A palavra coríndon deriva do termo Kurudam, proveniente do Tamil (uma das línguas dravídicas faladas no sul da índia) que significa Rubi. Tal mineral foi identificado pela primeira vez na Índia. As variedades: rubi e safira, são empregadas como pedras preciosas na fabricação de jóias e também em mecanismos de precisão, como relógios e motores especiais. O coríndon não utilizável em joalharias pode ser empregado como abrasivo, em ferramentas cortantes e como material refratário em virtude do elevado ponto de fusão. O esmeril é o coríndon impuro, empregado como abrasivo na fabricação de lixas, rebolos, etc., porém, o uso de material natural para estas finalidades é cada vez menor devido o emprego de seus correspondentes artificiais.
Seus cristais são geralmente prismáticos, embora possam, algumas vezes, apresentar-se arredondados, à semelhança de pequeno barris, em que é freqüente a presença de estriações horizontais profundas. O mineral ocorre na forma de cristais hexagonais perfeitos ou em granulometrias de diversas configurações, ora grossas, ora finas.
É um mineral relativamente comum e é encontrado, principalmente, nos calcários cristalinos, micaxistos e gnaisses. Algumas rochas magmáticas possuem coríndon como um de seus minerais primários. Também é encontrada em formações rochosas e nos aluviões dos rios, como é o caso do Brasil, com ocorrência do Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
O coríndon artificial possui a mesma composição química, estrutura cristalina e as mesmas propriedades do natural e pode ser fabricado a partir da bauxita e do óxido de alumínio puro.
* Rubi - Gema Sintética
Safiras e rubis sintéticos têm sido reproduzidos desde 1902 pelo processo Verneuil e, posteriormente, por processos hidroterminais ou por fusão e fluxos. Os primeiros fabricantes eram suíços, franceses e alemães. A partir de 1940 passou a ser produzido também nos EUA.
Seu nome tem origem no grego beyllos que significa bela cor azul-esverdeada da água do mar. O berilo é um mineral (ciclossilicato de berílio e alumínio) com fórmula quéimica Be3Al2(SiO3)6. O tamanho dos cristais hexagonais de berilo variam desde minúsculo até a dimensão de alguns metros. Os cristais terminados são relativamente raros. O berilo exibe fratura concoidal, tem dureza de 7, 5-8, um peso específico de 2,63-2,80. Possui brilho vítreo podendo ser transparente ou translúcido. Clivagem basal fraca, com hábito bipiramidal diexagonal. O berilo é puro e incolor, porém é freqüentemente matizado por impurezas que tornam possíveis as colorações verde, azul, amarelo, vermelho, rosa, alaranjado e branco.
* Big Gold Beryle Stone
Algumas variedades do berilo são consideradas preciosas desde a pré-história. Pode-se encontrar as seguintes variedades deste mineral:
O berilo verde, devido a presença de crómio e vanádio, conhecido por esmeralda;
O berilo vermelho, esmeralda escarlate ou bixbite;
O berilo azul ou água-marinha, devido a presença do ferro;
A morganita, berilo rosa ou alaranjado devido ao manganês, ferro e titânio;
O berilo amarelo brilhante e límpido chamado berilo dourado ou berilo amarelo;
O berilo incolor, chamado gochenita E o amarelo-esverdeado ou heliodoro, devido a presença do manganês, ferro e titânio.
Comumente o berilo é encontrado em pagmatitos graníticos, mas ocorre também em micaxistos nos Montes Urais, estando muitas vezes associados a depósitos de minérios de estanho e tungstênio. Além de muitas ocorrências na Europa como na Áustria, Alemanha, Irlanda, Portugal entre outros, é encontrado também em várias regiões da África, como Madagascar (especialmente a morganita) e Trasvaal (esmeraldas), e também na América do Sul, como no Brasil (Minas Gerais) e Colômbia, na qual se situa a maior fonte de esmeraldas no mundo em Muso, onde o berilo pode ser excepcionalmente encontrado em calcários. Esmeraldas também são encontradas perto de Mursinski, Sibéria. Na América do Norte os pegamitos de Nova Inglaterra produziram alguns dos maiores cristais de berilo conhecidos, incluindo um de 5,5m (18 pés) por 1,2m (4 pés) pesando 18t. Outras localidades incluem Dakota do Sul, Colorado e Califórnia.
O elemento químico berilo, um metal alcalino terroso, é obtido do minério de berilo. Uma das formas mais comuns na natureza é a esmeralda, uma pedra preciosa de cor característica verde. Os druidas (membros das religiosidades celtas e bretãs) utilizavam o berilo como cristal divino. Os antigos escoceses a chamavam pedra do poder. As primeiras bolas de cristal eram feitas de berilo, mais tarde foram substituídas por cristal de rocha.